Hoje, escolher onde viver após a reforma vai além das emoções ou do estilo de vida. As condições climáticas também influenciam a decisão.
Portugal mantém-se atrativo pela segurança, bons serviços e elevada qualidade de vida, mas o aumento das temperaturas e as condições meteorológicas extremas reforçam a importância de pensar no futuro e optar por uma casa preparada para os desafios climáticos.
Quando o trabalho diminui e os filhos saem de casa, muitas pessoas repensam onde querem viver. À beira-mar. No campo. Nas montanhas. Ou num sítio que lhe traga boas recordações.
Hoje em dia, a liberdade de se deslocar também implica responsabilidade. A grande questão é simples: quão resiliente é o sítio que pretende chamar de lar?
As alterações climáticas já chegaram
As ondas de calor, tempestades e inundações tornaram-se cada vez mais frequentes, com impacto direto no quotidiano e na saúde, sobretudo das pessoas idosas.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que o calor causa centenas de milhares de mortes por ano a nível global, tendo provocado mais de 60 000 mortes na Europa em 2022 – um número que poderá aumentar, significativamente, nas próximas décadas.
Estes números mostram que o risco climático não é um problema do futuro. É um problema aqui e agora.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) confirmou esta tendência no seu relatório sobre o Estado dos Recursos Hídricos Globais. Nos últimos anos, tem-se verificado um aumento do calor, secas mais prolongadas e chuvas mais intensas, muitas vezes nas mesmas regiões.
As cidades como parte da solução
As cidades desempenham um papel crucial na adaptação climática. As cidades são responsáveis por muitas emissões, mas também são locais onde as soluções são testadas.
O Relatório Mundial das Cidades de 2024, realizado pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (UN-Habitat), estima que cerca de um bilião de residentes urbanos estarão expostos a calor extremo, chuvas intensas ou secas, nas próximas décadas.
Algumas cidades começaram a criar novos cargos, como o de Diretor de Calor, para coordenar iniciativas contra o calor extremo. Cidades como Atenas, Los Angeles, Miami-Dade e Melbourne já deram este passo.
Outras soluções concentram-se nos materiais e no design. Superfícies refletoras, telhados de arrefecimento, pavimentos permeáveis e áreas com sombra ajudam a reduzir o calor. Árvores e espaços verdes melhoram o conforto e protegem as pessoas vulneráveis.
O planeamento urbano também está a mudar. A ventilação natural, a absorção de água e a drenagem sustentável são agora prioridades. Estas escolhas protegem a saúde e reduzem os danos durante eventos extremos.
Viver bem em Portugal – aqui, agora e no futuro
Portugal continua a ser um excelente sítio para viver. No entanto, os dados climáticos mostram por que é importante ter um plano.
De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), 2024 foi um dos anos mais quentes desde o início dos registos, em 1931. Em junho de 2025, foi registada uma temperatura recorde de 46,6 °C em Mora, no distrito de Évora.
Estes números não servem para criar medo. Servem para ajudar as pessoas a fazer melhores escolhas, especialmente em áreas como o Alentejo ou o Algarve, onde o calor e a seca podem ser mais frequentes.
Muitas cidades estão a responder com mais áreas verdes, ruas com sombra e melhores sistemas de água. Para os proprietários, o conforto também depende de um bom isolamento, ventilação natural, bombas de calor e painéis solares. Estas soluções reduzem os custos e melhoram a qualidade de vida ao longo do tempo.
A proteção dos seguros é outra parte importante da tranquilidade a longo prazo, especialmente quando os eventos naturais se tornam mais frequentes.
A natureza como um aliado
As infraestruturas verde e azul são das formas mais eficazes de reduzir o risco climático.
A infraestrutura verde inclui parques, florestas urbanas, telhados verdes, jardins verticais e ruas arborizadas. Esses elementos reduzem a temperatura, melhoram a qualidade do ar e criam espaços mais saudáveis.
A infraestrutura azul diz respeito à água. Inclui bacias de águas pluviais, zonas húmidas, rios restaurados e sistemas de drenagem sustentáveis. Estas soluções reduzem o risco de inundações e ajudam a armazenar água durante os períodos de seca.
Juntas, protegem as cidades tanto das secas como das inundações repentinas.
Cuidados especiais para zonas costeiras e montanhosas
Viver perto do mar ou nas montanhas traz muitos benefícios para a saúde. Mas estas zonas também enfrentam riscos específicos.
As zonas costeiras são afetadas pela subida do nível do mar e pela erosão. Muitas cidades utilizam agora barreiras, estradas redesenhadas e vegetação para gerir a água de forma mais segura.
As zonas montanhosas enfrentam mudanças de temperatura mais acentuadas, menor disponibilidade de água e maior risco de deslizamentos de terra. O planeamento e a manutenção são fundamentais nestes ambientes.


