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COMO DORMIR MELHOR DURANTE UMA ONDA DE CALOR?

Família sorridente sentada num sofá na sala de estar. Família sorridente sentada num sofá na sala de estar.

Um guia prático para arrefecer a casa, criar rotinas de ventilação, melhorar hábitos de sono, usar o ar condicionado de forma eficiente e perceber o que realmente funciona nas dicas das redes sociais. 


Há noites de verão em que a casa parece uma estufa que não arrefece. Uma criança acorda inquieta e a transpirar. Alguém abre a janela, mas fecha cinco minutos depois por causa do bafo quente. Ligamos o ar condicionado, mas pensamos na conta de eletricidade e desligamos. A ventoinha faz barulho, a garganta fica seca e há o receio de acordar na manhã seguinte com os músculos rígidos.

Quando o calor aperta, a questão já não é saber se o ar condicionado ajuda. O desafio é gerir o equilíbrio térmico da casa, sem depender apenas da tecnologia. Durante as vagas de calor no verão, em muitas cidades europeias, as temperaturas passam os 38°C e o ar noturno não baixa dos 25°C.

A dificuldade em dormir mostra que as alterações climáticas já não são algo distante, estão dentro das nossas casas. Para lidar com isto, precisamos de prevenção e de uma gestão doméstica inteligente.

Para famílias jovens, que estão a criar novas rotinas, as ondas de calor tornam a casa num teste diário: onde cada pessoa dorme, que divisão deve ficar mais fresca, como proteger as crianças, como gerir custos e evitar decisões repetidas todas as noites. 

 

Mapear a emergência


As temperaturas extremas são uma emergência confirmada pelos principais observatórios internacionais. A OMS mostra um elevado impacto humano:
60 000 mortes em 2022 e 47 500 em 2023 na Europa. Sem adaptação, as previsões apontam para 120 000 mortes por ano até 2050.

Ao mesmo tempo, manter as casas habitáveis tornou‑se um desafio económico e ambiental.

 

Aumento do consumo de energia


A Agência Internacional de Energia (AIE) confirma que o
arrefecimento dos espaços é a área que mais cresce no setor da construção.
O consumo energético do ar condicionado aumenta cerca de 4% ao ano, criando pressão sobre as redes elétricas e os orçamentos familiares.

 

O paradoxo energético

Ligar o ar condicionado no máximo quando a casa já está quente cria um círculo vicioso: contas mais altas, pressão na infraestrutura urbana, risco de apagões e aumento das emissões de CO.

Guia prático: como proteger a sua casa e dormir melhor

Combater o calor extremo exige uma estratégia simples e consistente. Uma
gestão inteligente da casa pode reduzir bastante a temperatura interior sem depender apenas do ar condicionado. 

 

1. Manter o calor lá fora

Sombra e proteção solar – A regra mais importante é impedir que o sol entre pela janela. Isto deve ser feito logo de manhã. Cortinas ajudam, mas o mais eficaz é usar portadas, estores ou toldos externos. Também é útil evitar eletrodomésticos que criam calor, como forno, máquinas de lavar e secar ou computadores potentes.

Desmistificar a ideia das janelas abertas – Durante uma onda de calor, abrir janelas durante o dia piora o ambiente. O ar quente entra e aquece as paredes. A casa deve ficar fechada e protegida nas horas mais quentes. Só se deve abrir janelas quando o ar exterior estiver mais frio do que o interior, normalmente à noite.

2. Fazer corrente de ar apenas quando funciona

O problema das casas com janelas de um só lado – Em muitos apartamentos urbanos, as janelas estão apenas num lado do edifício. A ventilação cruzada é impossível e o ar fica parado.

Duas soluções, utilizando ventoinhas de forma estratégica – À noite, quando o ar exterior está mais fresco, uma ventoinha perto da janela pode ajudar a puxar esse ar para dentro. Se o interior estiver muito quente, uma ventoinha virada para fora pode expulsar o ar quente. O segredo é o timing: ventilar apenas quando o ar exterior está mais fresco.


3. Criar uma rotina noturna adequada

A técnica do “refúgio térmico” – Em vez de tentar arrefecer toda a casa, concentre o esforço numa divisão. Fechar portas torna o ar condicionado ou a ventoinha mais eficaz, criando um espaço fresco para dormir.

Hábitos pessoais e proteção de pessoas vulneráveisUse tecidos leves como algodão ou linho. Evite materiais sintéticos. Tenha água perto da cama e mantenha a hidratação, especialmente para crianças, seniores, grávidas e pessoas com doenças crónicas. O objetivo não é só conforto – é prevenção: evitar desidratação, exaustão pelo calor e má qualidade do sono.

Usar o ar condicionado de forma inteligente – Este aparelho funciona melhor quando faz parte da rotina. Arrefecer a divisão antes de dormir é mais eficiente do que tentar arrefecer a casa inteira quando já está quente. Mantenha portas e janelas fechadas, use temporizador ou modo noturno, evite temperaturas muito baixas e limpe os filtrosEm dias húmidos, a desumidificação ajuda o corpo a arrefecer.

 

4. Não confiar demasiado nas redes sociais

Algumas dicas populares funcionam apenas por pouco tempo.

Colocar gelo à frente da ventoinha – Cria uma brisa fresca, mas o efeito é curto e aumenta a humidade.

Dormir com toalhas molhadas – Pode parecer útil no início, mas também aumenta a humidade. Tomar banho muito frio dá alívio imediato, mas água morna pode ser mais confortável antes de dormir.

A abordagem mais segura é a mais simplesBloquear o calor, ventilar apenas quando o ar exterior está mais fresco, reduzir fontes de calor e arrefecer uma divisão de forma eficiente.

  

Uma casa para o futuro


Com as alterações climáticas a tornar as ondas de calor mais frequentes, proteger a família exige uma nova perspetiva. Manter a casa segura significa torná‑la
resiliente, eficiente e sustentável.

Para famílias que estão a construir o seu lar, esta ideia de proteção inclui manter a casa habitável e segura à medida que os riscos climáticos aumentam.

 

Portugal: como a divisão arrefecida se tornou parte do cuidado familiar


Em Portugal, uma noite de onda de calor começa, muitas vezes, com uma pequena discussão. Um membro do casal quer abrir a janela porque “pelo menos há circulação de ar”. O outro fecha os estores porque o sol bateu nos vidros toda a tarde. A criança rebola na cama. A ventoinha continua a trabalhar. O ar condicionado funciona meia hora e depois é desligado por causa da
conta de eletricidade.

As casas portuguesas estão a aprender a viver com o calor. Em 2025, o IPMA registou seis ondas de calor, incluindo um episódio excecional entre julho e agosto, o mais longo de sempre no norte e centro do país. Em vários dias de julho, mais de 50% das estações meteorológicas registaram temperaturas de 35°C ou mais.

   

As casas portuguesas têm problemas no inverno, mas também no verão


Portugal é conhecido por ter casas frias no inverno e o inverso no verão. A estratégia nacional de combate à pobreza energética reconhece que
muitas pessoas vivem em casas demasiado quentes no verão.

A “divisão arrefecida” deixa de ser um luxo. Pode ser o quarto do bebé, o espaço onde uma pessoa mais velha passa as horas mais quentes, o local de teletrabalho ou a sala onde a família se reúne. 

 

Rotina noturna numa casa portuguesa

A rotina noturna de uma casa em Portugal pode ser organizada de acordo com o que se passa no seu interior:

  • Antes do almoço – feche as portadas ou baixe os estores ou toldos externos das janelas expostas ao sol;
  • Durante a tarde – mantenha os eletrodomésticos que produzem calor desligados, sempre que possível, especialmente o forno ou as máquinas de lavar e secar;
  • Antes do jantar – verifique se o ar lá de fora está, realmente, mais frio do que o do interior e, só depois, abra a janela;

  • Após o pôr do sol – crie fluxo de ar apenas quando a temperatura exterior tiver baixado o suficiente;

  • Antes de dormir – concentre esforços em arrefecer uma divisão selecionada e não a casa inteira;

  • Durante a noite – use os temporizadores, modo noturno ou desumidificador, sempre que possível, em vez de forçar o sistema a funcionar na potência máxima.

A conta também faz parte da onda de calor


Em Portugal, o dilema do ar condicionado é também económico. O plano para 2026 da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), confirma que os preços regulamentados da eletricidade continuam a ser uma questão pública para as famílias e pequenas empresas. A Reuters reportou que a
ERSE propôs um aumento de 1% nas tarifas de eletricidade regulamentadas para 2026, afetando cerca de 820.000 residências e pequenas empresas sujeitas a tarifas reguladas.

Arrefecer a casa é uma sequência de pequenas escolhas: arrefecer mais cedo, usar desumidificador, ligar o sistema por menos tempo, fechar portas, substituir aparelhos antigos, criar sombra e reduzir consumo energético.

Criar um “orçamento prático para ondas de calor” pode ser bastante útil:

  • Custo energético quantas horas o sistema funciona e em que divisão;
  • Custo de conforto verificar se a divisão arrefece o suficiente para conseguir dormir ou para as crianças ou seniores permanecerem protegidos do calor;
  • Custo de manutenção filtros, assistência, fugas, drenagem e eficiência do sistema;
  • Custos de construção estruturas que criam sombra, isolamento, janelas, exposição do telhado e ventilação;
  • Custos de saúde desidratação, sono de má qualidade, exaustão pelo calor e cuidados com pessoas vulneráveis;
  • Custos de reparação o que acontece se um aparelho ou instalação falhar durante a estação.

 

A questão não é evitar o arrefecimento. Trata-se de deixar de usá-lo apenas como último recurso.

 

Quando o arrefecimento se torna infraestrutura


Com maior dependência de ar condicionado, bombas de calor e sistemas hidráulicos, a rotina térmica da casa torna‑se mais mecânica. Isto levanta uma questão
: o aparelho não serve só para conforto, também pode causar danos se houver fuga ou falha.

O seguro Casa da Generali Tranquilidade pode ser a solução em caso de Derrame de Sistemas de Aquecimento e/ou Arrefecimento, cobrindo danos causados por fugas ou vazamentos de ar condicionado.

Uma fuga pode danificar móveis, paredes, pisos ou bens segurados. Uma pequena verificação do sistema pode ser útil: 

  • Antes da onda de calor limpe os filtros e verifique os tubos visíveis, a drenagem e os sinais de condensação;
  • Durante a utilização evite cenários de temperatura extrema e mantenha as portas fechadas na divisão que está a ser climatizada;
  • Após um uso intensivo procure manchas de água, odores estranhos, gotejamento e qualquer sinal de humidade;
  • Antes das férias verifique se os sistemas estão desligados ou instalados de forma segura, especialmente se a casa estiver vazia;
  • Após uma fuga documente os danos e confirme quais os bens ou elementos segurados da habitação foram afetados.

 

Isto é especialmente relevante em casas onde uma divisão se torna o “refúgio térmico” para crianças, seniores ou outras pessoas vulneráveis ao calor. A DGS recomenda que se dê uma especial atenção às crianças, aos seniores, a pessoas com doenças crónicas, a grávidas, a pessoas com mobilidade reduzida e isoladas durante os períodos de calor intenso.

 

Checklist para noites quentes


Antes da noite quente seguinte, a pergunta não deve ser apenas “devemos ligar o ar condicionado?”, mas, sim, “a nossa casa está preparada para as temperaturas quentes todas as noites?”.

Que divisão poderá estar sempre fresca para a família?

As portadas/estores/toldos externos foram usados antes de o calor entrar?

Abrimos janelas apenas quando o ar exterior estava mais fresco que o do interior?

As pessoas vulneráveis dormem na divisão mais segura?

O sistema tem tido manutenção e limpeza? E é usado apenas com as portas e janelas fechadas?

Sabemos que danos podem resultar de uma fuga?

O seguro da casa cobre situações de derrame de sistemas de aquecimento/arrefecimento?

Podemos reduzir a conta arrefecendo o ar mais cedo, por menos tempo e de forma mais inteligente, em vez de optarmos por fazer o inverso?

 

Em Portugal, viver com conforto e segurança, durante o verão, não depender de uma única solução espetacular. Será, antes, o resultado de uma progressiva disciplina doméstica: estores corridos antes de o sol entrar, corrente de ar apenas se funcionar, uma divisão sempre fresca, equipamento mantido em boas condições e um conjunto de regras que a família conhece bem e com o qual sabe lidar.

  

 

Fontes: