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COMO FALAR SOBRE DINHEIRO NUMA RELAÇÃO?

Mulher concentrada a escrever notas enquanto usa o computador portátil. Mulher concentrada a escrever notas enquanto usa o computador portátil.

Antes de casar, comprar casa, ter filhos ou mudar de profissão, os casais devem ter uma conversa prática sobre proteção, poupança e custos.


A conversa antes da decisão

Há um momento em que dois salários se transformam num futuro partilhado – a visita a um apartamento, uma reunião para discutir o financiamento imobiliário, a data do casamento ou a possibilidade de ter um filho. Até lá, o dinheiro pode ter vivido em contas separadas, com receios e prioridades diferentes. Mas, um dia, uma decisão revela algo importante: num casal, as diferenças de rendimento nunca são individuais.

Se um dos dois ganha menos, tem menos poupanças, dívidas ou mais responsabilidades familiares, o risco passa a ser dos dois. Uma renda fácil para um pode ser pesada para o outro. Um filho pode ser um sonho partilhado, mas o impacto na carreira pode recair mais sobre um dos parceiros.

Este é o verdadeiro significado de intimidade financeira: perceber como dois salários diferentes moldam um futuro comum. A questão não é só “quanto dinheiro temos?”, mas também “como podemos planear de forma justa, juntos e ao longo do tempo?” 

 

Porque diferentes rendimentos se tornam um risco partilhado

Dois salários raramente contam a mesma história. Um pode ser mais alto, mas menos seguro. Outro pode ser mais baixo, mas mais estável. Um dos parceiros pode ter obrigações familiares, dívidas ou nenhum apoio dos pais. O outro pode ter poupanças, apoio familiar e uma rede de segurança mais forte.

Por isso, dividir tudo 50/50 nem sempre é justo. Se a renda, contas e férias forem divididas de forma igual, quem ganha menos pode ter menos capacidade para poupar, investir ou criar um fundo de emergência. Com o tempo, um avança e o outro fica para trás.

A estratégia de literacia financeira da Comissão Europeia de 2025 mostra que apenas 18% dos cidadãos da UE têm um nível elevado de literacia financeira. Muitas pessoas tomam decisões sérias – hipotecas, seguros, empréstimos, poupança para a reforma – com ferramentas que nunca aprenderam a usar.

Para os casais, o planeamento deve ser conjunto, não porque ambos têm de contribuir com o mesmo valor, mas porque assumem os mesmos riscos.

  

Uma casa, dois salários, três receios

Arranjar casa é, muitas vezes, o primeiro grande teste. O relatório “Habitação na Europa” do Eurostat mostra que, em 2024, as famílias da UE gastaram, em média, 19% do rendimento em habitação. E 8,2% viviam em agregados que gastavam 40% ou mais do rendimento disponível em habitação.

O Inquérito do BCE às Expectativas dos Consumidores para abril de 2026 acrescenta ainda que os consumidores esperam que os preços das casas subam 3,7% e que as taxas das hipotecas se mantenham nos 4,9% nos próximos 12 meses. Mas as expetativas não são iguais para todos. As famílias com baixos rendimentos esperam taxas de juro de 5,6%, por oposição aos 4,4% das famílias de rendimentos mais elevados.

Num casal, o mesmo empréstimo pode ser sentido como um projeto a dois para um, mas ser uma pressão permanente para o outro.

Um exercício útil é criar três cenários:
– rendimento atual dos dois;
– rendimento de um reduzido em 20%;
– rendimento de um em falta durante seis meses. 

Se o terceiro cenário não funcionar, a casa pode ser possível, mas com uma rede de segurança maior ou um plano mais lento.
 

Os filhos e a questão do cash‑flow

Um filho muda o tempo, o trabalho, a habitação, as despesas de saúde e a poupança a longo prazo. Os dados do Eurostat para 2024 mostram que a taxa de fertilidade na UE era de 1,34 filhos por mulher e a idade média do primeiro filho era de 29,9 anos.

Existe também a questão da disparidade de género. Em 2024, a diferença de empregabilidade entre homens e mulheres era de cerca de 10 pontos percentuais, e a diferença salarial era de 11,1%.

Sempre que um dos parceiros reduz o horário, tira uma licença mais longa ou interrompe a carreira, o impacto não é só no salário de um mês. Afeta as pensões, as poupanças e a segurança financeira da família.

Por isso, o “orçamento para o bebé” deve incluir o rendimento que pode desaparecer e o parceiro cuja independência pode ficar mais frágil. 

 

Cinco perguntas antes do próximo grande passo

Uma boa conversa sobre finanças pode ser ao domingo de manhã, com dois cafés, dois computadores e uma regra de ouro: sem culpas, só clareza.

A comunicação da União da Poupança e dos Investimentos da Comissão Europeia refere que cerca de
70% das poupanças das famílias da UE, cerca de 10 biliões de euros, estão em bancos. Os casais não devem apenas poupar em conjunto, mas também decidir para que serve cada tipo de montante ou investimento.

Estas cinco perguntas podem ajudar a dar o próximo grande passo:

1. O que é que cada um ganha, deve e detém?
Devemos partilhar, abertamente, o nosso salário, dívidas, poupanças, obrigações familiares e seguros.

2. Quais os custos partilhados e os pessoais?
A renda, a alimentação, as férias, os animais de estimação, os cuidados e o transporte precisam de regras claras.

3. Qual é o nosso fundo de emergência?
Definam quantos meses de despesas essenciais precisam de estar disponíveis para fazer face a um imprevisto.

4. O que acontece se um rendimento mudar?
A perda de emprego, a licença parental, a doença ou uma pausa na carreira exigem um plano básico.

5. Quais as despesas futuras?
Um filho, uma casa, a reforma ou o cuidado dos pais nunca devem ser uma surpresa.

 

Da tensão individual à confiança partilhada

Um casal não precisa de finanças perfeitas. Precisa de um método partilhado. Salários diferentes, poupanças diferentes e responsabilidades diferentes podem fazer parte do mesmo plano, se forem discutidos com clareza.

O próximo passo deve começar antes do contrato, da cerimónia, da creche ou da carta de despedimento. Deve começar com uma conversa prática sobre rendimento familiar, objetivos de poupança, seguros, contribuições para a segurança social e os efeitos a longo prazo das escolhas profissionais.

A Generali Tranquilidade pode ajudar os casais a passar de decisões individuais para uma estratégia financeira partilhada. Poupança, planeamento familiar, habitação, seguro de vida e segurança financeira a longo prazo fazem parte do mesmo plano.

 

Portugal: quando o próximo passo começa na mesa da sala

Em Portugal, a intimidade financeira começa, muitas vezes, com uma pergunta concreta: “temos condições para ter aqui uma casa?”. Para muitos casais, o próximo passo é um T1 ou um T2 em Lisboa, Porto, Braga ou Algarve; uma simulação de empréstimo; uma conversa com os pais sobre ajuda para o depósito; ou a decisão de arrendar por mais um ano.

Segundo o Banco de Portugal, os preços dos imóveis subiram 140% entre 2016 e 2025, e o valor mediano do arrendamento por metro quadrado subiu 65% entre 2019 e 2025.

O indicador de acessibilidade para compra de casa ficou em 48% do rendimento mediano em 2025, acima do limite de alerta de 40%. No arrendamento, o peso das rendas subiu de 36% em 2019 para 47% em 2025. Em Lisboa, a renda mediana atingiu 1274€ (72% do rendimento mediano). No Porto, 1054€ (66%).

Para os casais, isto altera o significado de “viver juntos”. Não se trata apenas de um marco romântico, mas também de um teste de resistência: quem tem a renda mais estável, quem conta com o apoio da família, quem consegue continuar a economizar após o pagamento das despesas mensais e o que acontece se um dos parceiros mudar de emprego ou pedir uma licença parental?

Num contexto de aceleração dos preços da habitação, crescimento do crédito às famílias e aumento do número de jovens que adquirem a sua primeira casa, em 2026, o Banco de Portugal reduziu a taxa de esforço recomendada de 50% para 45% para novos contratos de crédito.

Uma conversa sobre finanças deve incluir três vertentes:

  • casa – quanto é que o banco lhes pode emprestar, mas sobretudo qual o valor da mensalidade que ainda vos permite poupar;
  • família – que ajuda recebem dos pais e que apoio lhes será preciso dar no futuro;
  • futuro – o que acontece às poupanças para a reforma se um membro do casal ganhar menos, ficar desempregado ou assumir mais responsabilidades de cuidado familiar. Este último ponto é particularmente importante porque a vida familiar em Portugal está a ser planeada cada vez para mais tarde e sob maior pressão financeira.

 

As estatísticas mostram que Portugal teve 87 764 nascimentos em 2025, mais 3,7% do que em 2024. No entanto, este aumento não elimina o desafio de planeamento: muitos casais têm filhos numa fase em que já enfrentam custos de habitação, exigências de carreira e responsabilidades familiares.

O Índice de Igualdade de Género do EIGE mostra que, em 2025, as mulheres em relações ganham 80% do rendimento dos parceiros, enquanto os homens ganham 30% a mais do que as parceiras. No dia a dia, essa diferença, muitas vezes oculta, pode condicionar decisões aparentemente simples: quem paga a maior parte do empréstimo da casa, quem pode “dar-se ao luxo” de reduzir as horas de trabalho, quem continua a contribuir para a poupança a longo prazo e quem pode estar em risco de chegar à altura da reforma com menor autonomia financeira.

Planear o futuro a dois exige consistência e proteção contra os imprevistos da vida.
É aqui que um plano poupança reforma, como o Generali Tranquilidade, pode fazer a diferença. Mais do que uma poupança para a reforma, esta solução funciona como uma rede de segurança em caso de desemprego de longa duração ou doença grave, podendo até ser o balão de oxigénio que o casal precisa para pagar prestações da casa ao banco.

O Tranquilidade PPR da Generali Tranquilidade oferece a flexibilidade necessária para ajustar ou pausar a poupança, sempre que a vida profissional ou familiar assim o exigir: 

  • reforços à medida – permite entregas mensais a partir de 25€;
  • risco controlado – indicado para perfis conservadores e moderados, que priorizam segurança e crescimento estável;
  • vantagens fiscais – pode garantir um benefício ­fiscal até 20% no IRS.

 

Criar uma rotina de poupança hoje é um passo essencial para garantir que as oscilações de amanhã não abalam a segurança financeira do casal. A pergunta não deve ser “temos dinheiro para isto agora?”, mas, sim, “estamos a construir um futuro onde ambos ficam financeiramente seguros?

 

 

 

Fontes: