Sair da casa dos pais é um grande passo. Para muitos jovens adultos, essa saída levanta uma questão simples, mas difícil: compro uma casa ou arrendo?
Em toda a Europa, este dilema está a tornar-se cada vez mais comum. Os jovens querem independência, estabilidade e uma casa própria. Contudo, os preços elevados, as regras rigorosas para a concessão de crédito hipotecário e as mudanças nos estilos de vida tornam a decisão mais difícil do que no passado.
Comprar uma casa é, muitas vezes, visto como um sinal de sucesso. Significa raízes, segurança e um plano a longo prazo. Por outro lado, arrendar oferece flexibilidade e liberdade.
A escolha entre as duas opções já não é apenas uma preferência pessoal – é também influenciada pelas condições económicas e pelas políticas públicas.
Um panorama europeu: desejos fortes, limites reais
Ao nível europeu, ter casa própria continua a ser o modelo de habitação mais comum. De acordo com o Eurostat, cerca de dois terços da população da União Europeia vivem em casas próprias. Isto mostra que a compra de uma casa continua a ser um objetivo importante na vida.
No entanto, os jovens enfrentam mais obstáculos. Em muitos países, os custos da habitação aumentaram mais rapidamente do que os rendimentos. É necessário mais tempo para poupar para o pagamento inicial. O acesso ao crédito hipotecário é mais seletivo.
Ainda assim, o desejo de comprar continua forte. Dados da Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho (Eurofound) revelam que uma parte significativa dos jovens europeus gostaria de se tornar proprietária de uma casa nos próximos anos, mesmo que as condições atuais tornem isso difícil.
Esta discrepância entre aspirações e realidade define o debate sobre a habitação para as gerações mais jovens, em toda a Europa.
Portugal: um país de proprietários, com novos desafios
Portugal reflete esta tensão europeia de forma muito clara.
De acordo com dados do Eurostat para 2024, cerca de 73-74% da população portuguesa vive em casas próprias. Isto coloca Portugal entre os países com as taxas de propriedade imobiliária mais elevadas da União Europeia.
Contudo, os jovens adultos enfrentam dificuldades crescentes.
Mais de 56% das pessoas com idades entre 25 e 34 anos ainda vivem com os pais, uma das percentagens mais elevadas da Europa. Os preços elevados das casas, o aumento das rendas e o crescimento mais lento dos salários atrasam a transição para uma vida independente.
Isto cria um paradoxo. Do ponto de vista cultural, ser proprietário de uma casa ainda é visto como um passo fundamental para a vida adulta. Do ponto de vista económico, é mais difícil de alcançar.
Novo apoio público para jovens compradores em Portugal
Por esse motivo, em 2024, o Governo português introduziu medidas específicas para ajudar os jovens a comprar a sua primeira casa.
Estas medidas incluem:
- uma garantia estatal para apoiar o acesso ao crédito hipotecário, reduzindo a necessidade de poupanças iniciais elevadas;
- isenções fiscais sobre o Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT) e o imposto de selo, para jovens compradores elegíveis.
Estas políticas foram criadas para eliminar algumas das maiores barreiras à compra de casa própria.
A resposta foi clara: de acordo com dados do Banco de Portugal, cerca de 43% dos novos contratos hipotecários, em 2024, foram assinados por tomadores de empréstimos com idades entre 18 e 35 anos.
Isto mostra que muitos jovens estão prontos para comprar, quando as condições se tornam mais acessíveis.
Estas medidas são, agora, uma parte fundamental do contexto imobiliário português.
Por que a compra de casa ainda atrai jovens
Comprar uma casa traz muitas vantagens:
- protege contra futuros aumentos de renda;
- permite que as pessoas adaptem e melhorem o seu espaço de vida;
- pode ajudar a construir estabilidade financeira.
Há também um lado emocional. Ter uma casa própria, muitas vezes, garante uma sensação de realização e de pertença. Muitas pessoas associam-no a uma maior satisfação com a vida e a uma sensação de controlo sobre o seu futuro.
Em Portugal, onde os laços familiares e as raízes são fortes, este valor simbólico é especialmente importante.
Por que arrendar ainda faz sentido
Apesar destas vantagens, comprar não é a escolha certa para todos.
Para muitos jovens adultos:
- os preços das casas e as entradas ainda são extremamente elevados;
- os créditos hipotecários têm, frequentemente, uma duração de 30 anos ou mais;
- ser proprietário implica custos de manutenção e pressão financeira.
Arrendar pode oferecer mais flexibilidade, permitindo uma maior mobilidade profissional e menos compromissos a longo prazo. Para pessoas em fase inicial da carreira, esta pode ser uma opção inteligente e equilibrada.
Na prática, muitos jovens portugueses alternam entre arrendar, viver com a família e planear a futura aquisição de uma casa própria.


