Os acidentes de carro em Portugal são um problema grave. Conforme noticia o jornal Público, estamos entre os 6 países com mais mortes nas estradas, por acidentes rodoviários, entre 32 analisados, segundo as estatísticas publicadas pelo Conselho Europeu da Segurança dos Transportes (ETSC).
Ora, a melhor forma de prevenir algo é compreendê-lo bem. Quais as principais causas e as consequências dos acidentes de viação? Sabia que a gravidade de um acidente depende, muitas vezes, do tipo de colisão que ocorre entre os veículos?
Fique a conhecer os acidentes rodoviários mais comuns e a melhor forma de os prevenir.
O que é uma colisão?
Uma colisão é um encontro ou choque violento entre dois ou mais elementos, em que pelo menos um se encontra em movimento. Quando ocorre, há uma libertação e dissipação de energia, que pode provocar deformações nos veículos, ruído, calor e, frequentemente, danos materiais e lesões nos ocupantes.
No caso de uma colisão entre automóveis, a gravidade do impacto depende de vários fatores, sendo a velocidade um dos mais determinantes. Quanto maior for a velocidade a que um dos veículos circula, maior será a quantidade de energia envolvida no impacto – o que resulta, em regra, num aumento significativo da violência do acidente.
Tipos de colisões
Alguns tipos de colisões podem também envolver peões ou animais. Nem todos os acidentes rodoviários têm os mesmos efeitos sobre o veículo e os seus passageiros. Nos mais graves, o impacto resulta em lesões em zonas mais sensíveis do corpo.
1. Colisão frontal
A colisão frontal ocorre quando um veículo embate noutro veículo que circula em sentido contrário, ou em algo que se encontra parado na berma da estrada, como uma árvore ou um poste. Neste caso, os ocupantes são, normalmente, projetados para a frente, devido à força do impacto.
Por esse motivo, o cinto de segurança é particularmente importante. Sem o "travão" do cinto, no momento da colisão, os ocupantes vão bater contra o para-brisas, o painel de instrumentos ou até mesmo sair do carro, dependendo da força da colisão.
Segundo o Relatório de Sinistralidade da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), em 2023, mais de metade dos acidentes rodoviários em Portugal – 52,6% – foram colisões, tendo estas incluído 40,5 das vítimas mortais e 46,1% dos feridos graves.
Como evitar as colisões frontais
Em primeiro lugar, mantenha sempre a atenção na estrada. Evite utilizar o telemóvel ou distrair-se – basta uma fração de segundo para o veículo sair da sua faixa de rodagem e causar um acidente.
Chuva, nevoeiro ou estradas escorregadias aumentam, significativamente, o risco de perda de controlo. Adapte sempre a sua condução às condições do momento.
Lembre-se de usar sempre o cinto de segurança: a probabilidade de sobreviver a um choque frontal com o cinto de segurança é muito elevada. É também importante verificar o estado dos airbags do veículo, de forma regular. Nas colisões frontais, os airbags frontais reduzem as mortes do condutor em 29% e as mortes dos passageiros dos bancos da frente, com 13 ou mais anos, em 32%.
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2. Colisões de impacto lateral
Ao contrário das frontais, as colisões de impacto lateral envolvem um impacto de um dos lados do veículo. São geralmente mais graves, uma vez que os ocupantes estão mais próximos do veículo que colide com eles.
Como evitar colisões de impacto lateral
As entradas e saídas de rotundas são zonas mais propensas a acidentes de carro por colisões laterais. Para as evitar, saia sempre pela faixa exterior e verifique sempre se não há veículos no ângulo morto.
Os airbags laterais oferecem a melhor proteção contra estas colisões. Certifique-se de que a sua manutenção é efetuada.
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3. Colisões traseiras
Este tipo de acidente de viação ocorre quando um veículo é atingido na parte de trás por outro veículo. Isto é muito frequente quando o carro da frente abranda ou para subitamente. Ou quando um dos condutores perde o controlo ou se distrai da condução, mesmo que por uns segundos.
Como evitar as colisões traseiras?
Obedecer ao limite de velocidade é essencial na prevenção das colisões traseiras. Conduzir muito acima do limite de velocidade deixa-lhe menos espaço para reagir: mesmo que trave, pode não evitar o choque. O melhor é mesmo nunca exceder a velocidade máxima permitida e manter uma distância de segurança de 100 metros em relação ao carro da frente, ou uma distância mínima de 4 segundos.
⚠️ Sabia que é muito comum as colisões traseiras ocorrerem por encandeamento ao amanhecer e ao entardecer? Nessas alturas do dia, a luz solar é forte e incide diretamente no olhar do condutor. Para as evitar, tenha sempre, à mão, uns óculos de sol.
4. Capotamento de veículo
O capotamento ocorre quando o veículo foge ao controlo do condutor e gira sobre si próprio. É comum o capotamento ocorrer como resultado de uma tentativa de desvio do condutor, para evitar uma colisão.
Como evitar o capotamento?
Mais uma vez, a velocidade limitada é a chave para evitar este tipo de acidente rodoviário. Uma mudança súbita de direção, sobretudo a velocidade mais elevada, pode desestabilizar o veículo. Os cursos de condução defensiva são úteis e ensinam os condutores a rodar o volante da forma mais segura possível.
Preste também especial atenção aos sinais de aviso sobre possíveis animais selvagens nas estradas. Quando um animal atravessa a estrada, não o tente evitar com um movimento brusco do volante. Em vez disso, tente usar os travões, mantendo a direção firme.
5. Colisões com peões
Embora não impliquem o contacto com outro veículo, os atropelamentos são também considerados acidentes de viação.
Portugal é o país da Europa Ocidental com mais mortalidade entre os peões. O número de atropelamentos em 2023 aumentou 4,1% face ao ano anterior, segundo dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR).
Lembre-se de que, quanto mais pesado for o veículo, mais energia transferirá para o peão. A carroçaria do veículo também conta. Por exemplo, os para-choques deformáveis ou de plástico são sempre menos prejudiciais do que os de alumínio.
Como evitar os atropelamentos?
A maior parte destes acidentes acontece em zonas urbanas, especialmente em zonas de semáforos e passadeiras. Sempre que estiver numa zona com muitos peões, é melhor abrandar.
Também é aconselhável prestar atenção aos sinais que indicam a proximidade de escolas. Por serem mais pequenas, as crianças passam facilmente despercebidas, sobretudo se surgirem de repente, por exemplo a correr.
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