Stress, ansiedade ou fadiga... do sono ao humor, passando pela concentração e pelas alterações do nosso corpo, compreender os sinais da menopausa pode transformar a incerteza em prevenção.
Mais tarde ou mais cedo, chega um momento na vida de cada mulher em que algo começa a mudar. Podemos notar que estamos a dormir menos, a sentir-nos frequentemente cansadas e irritadas, com dificuldade de concentração ou com alguns quilos a mais.
Muitas vezes, os culpados parecem ser o trabalho ou o stress do dia a dia, mas quando os sintomas persistem, surge a pergunta: “será que estou na menopausa?”.
Segundo a Sociedade Europeia de Menopausa e Andropausa (EMAS), cerca de 80% das mulheres apresenta pelo menos um sintoma durante a perimenopausa – o período gradual em que o corpo se afasta da fase fértil. No entanto, muitas não reconhecem imediatamente estas alterações.
O maior desafio raramente são os sintomas em si, mas, sim, compreender o que eles significam. A menopausa permanece muitas vezes um assunto privado, gerando ansiedade desnecessária.
Falar abertamente e procurar aconselhamento médico ajuda as mulheres a viver esta fase com mais confiança. A menopausa não deve ser um tabu, pois é uma questão de saúde pessoal e o início de uma nova etapa focada no envelhecimento saudável e no autocuidado.
Uma nova abordagem à menopausa
Durante muitos anos, a menopausa foi vista como uma condição inevitável que a mulher tinha apenas de aceitar em silêncio. Hoje, essa perspetiva mudou.
As sociedades científicas europeias incentivam uma nova abordagem baseada numa maior sensibilização, melhor informação, diagnóstico mais preciso e cuidados preventivos.
O objetivo é compreender o corpo e agir antes que a incerteza se torne uma preocupação.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a menopausa ocorre, geralmente, entre os 45 e os 55 anos como uma etapa natural do envelhecimento biológico, marcada pela queda dos níveis de estrogénio.
Geralmente, a transição para a menopausa não acontece de forma súbita. Vai-se desenvolvendo de forma gradual, sendo as alterações do ciclo menstrual frequentemente o primeiro sinal.
Este período, conhecido como perimenopausa, inicia-se quando surgem os primeiros sintomas e prolonga-se até um ano após o último período menstrual. Pode durar vários anos e afetar o bem-estar físico, emocional, mental e social.
Como estas mudanças afetam o corpo e a mente, o cansaço e a quebra de energia podem dificultar a gestão das rotinas diárias e familiares, gerando alguma ansiedade. É perfeitamente normal e razoável adaptar o dia a dia: recusar um compromisso, delegar tarefas ou, simplesmente, aceitar que o corpo está a mudar e que a vida quotidiana pode precisar de mudar juntamente com ele.
Fazer estes ajustes pode ajudar as mulheres a viver esta fase da vida com mais calma e consciência, em vez de se sentirem controladas por ela.
As evidências científicas demonstram que tanto os tratamentos hormonais como os não hormonais, aliados a um estilo de vida saudável, melhoram significativamente a qualidade de vida.
Mais do que fertilidade: uma visão abrangente da saúde feminina
Para muitas mulheres, a menopausa representa quase metade da sua vida adulta. É por isso que deve ser encarada não só como o fim da fertilidade, mas sobretudo como um importante momento de check-up.
Esta etapa é a oportunidade ideal para monitorizar a saúde cardiovascular, a pressão arterial, o colesterol e a glicose. É também o momento de prestar uma particular atenção aos ossos, através da ingestão adequada de cálcio e vitamina D e, sempre que adequado, da realização de uma densitometria óssea.
O sono também merece especial atenção, pois dormir mal pode afetar o humor, a ansiedade, a energia e a concentração. As alterações no bem-estar emocional, incluindo irritabilidade ou dificuldade de concentração, não devem ser simplesmente descartadas ou ser associadas ao stress, se persistirem ao longo do tempo.
Quando surgem sintomas como afrontamentos, cansaço, alterações de humor ou perturbações do sono, não há motivo para entrar em pânico, mas estes sinais também não devem ser ignorados. Embora possam, simplesmente, refletir uma fase natural da vida, reconhecê-los precocemente permite às mulheres encarar o envelhecimento com maior confiança, consciência e preparação.
O que monitorizar e como devemos apoiar o nosso bem-estar
A transição para uma menopausa consciente começa com a compreensão do nosso corpo e com o conhecimento dos exames de diagnóstico recomendados.
Estes podem incluir:
- monitorização da pressão arterial, colesterol e glicemia;
- exames ginecológicos;
- rastreio de cancro adequado à idade;
- avaliação óssea, quando recomendada por um profissional de saúde.
O estilo de vida também desempenha um papel fundamental no bem-estar a longo prazo.
Os especialistas recomendam:
- atividade física regular;
- dieta equilibrada;
- hábitos de sono saudáveis;
- limitar o consumo de tabaco e álcool;
- manter um registo dos sintomas antes das consultas médicas pode auxiliar nas conversas com os profissionais de saúde.
Estes hábitos simples podem ajudar as mulheres a envelhecer de forma mais saudável, aprendendo a compreender e a aceitar as mudanças naturais que ocorrem no seu corpo.
Menopausa: apenas outra etapa da vida
A menopausa não deve ser um período em que as mulheres se isolam, sentindo-se preocupadas ou sobrecarregadas pelas mudanças no seu corpo. Em vez disso, é o momento ideal para compreender estas mudanças e dar-lhes um nome. Mesmo que nem todas as respostas estejam imediatamente disponíveis, fazer as perguntas certas é o primeiro passo essencial.
Desta forma, a menopausa é mais do que um sinal de envelhecimento. É um convite a cuidarmos de nós com maior consciência. Agir aqui e agora, perante pequenas mudanças no corpo, ajuda a construir uma saúde mais forte no futuro.
Planear a nossa saúde a longo prazo também significa encontrar profissionais e organizações de confiança que nos possam orientar nos momentos de incerteza, assim como ajudar-nos a fazer uma preparação antecipada e a abordar a prevenção com mais confiança.
Em Portugal, a menopausa está a sair da esfera privada
Para muitas portuguesas, a menopausa chega numa altura em que a vida ainda está muito agitada entre o trabalho, os filhos e o apoio aos pais idosos.
Embora seja normal sentir o sono mais leve e menos energia, muitas mulheres ainda tendem a ignorar ou a desvalorizar estes sintomas da menopausa, enfrentando as mudanças sozinhas.
A sensibilização ainda precisa de crescer
Ajudar as mulheres a reconhecer os sinais é um dos principais desafios no nosso país.
De acordo com uma investigação recente da Direção-Geral da Saúde, 73,3% das mulheres receberam informações sobre a saúde menstrual, mas 61,6% consideraram essa informação insuficiente.
Muitas mulheres ainda veem a menopausa como um processo que não requer apoio e a desinformação acaba por impedir o acesso a um tratamento personalizado.
Os especialistas relembram que a hormonoterapia, por exemplo, melhora a qualidade de vida e previne doenças crónicas como a osteoporose, mas a sua utilização em Portugal ainda é reduzida devido à falta de sensibilização.
Um novo compromisso público e o apoio privado
Por esta razão, as instituições portuguesas estão a reconhecer cada vez mais a menopausa como uma questão que é, simultaneamente, de saúde e social.
Os esforços atuais centram-se em várias ações prioritárias:
- incentivar as mulheres a falar sobre a menopausa, antes que os sintomas comecem a afetar o seu dia a dia;
- fornecer informações fiáveis sobre as diferentes opções de apoio e tratamento disponíveis;
- adotar uma abordagem holística à saúde da mulher, considerando o sono, o bem-estar mental, a saúde sexual, a saúde óssea e o risco cardiovascular;
- promover um atendimento personalizado, reconhecendo que os sintomas, as condições de saúde e as prioridades individuais variam de mulher para mulher;
- melhorar a formação dos profissionais de saúde para reduzir equívocos, incertezas e abordagens padronizadas no atendimento.
A menopausa pode, assim, tornar-se uma oportunidade para abrandar, reconhecer o que está a mudar e repensar os hábitos diários. Delegar uma tarefa, proteger o sono, pedir ajuda ou falar abertamente com alguém em quem confiamos não significa perdermos o nosso papel, mas antes reconhecermos que o nosso bem-estar merece tempo, atenção e cuidado.
Para apoiar as mulheres a viverem esta nova fase com máxima proteção e qualidade de vida, a Generali Tranquilidade disponibiliza o seguro Saúde +55. Pensado para apoiar as necessidades desta etapa, o seguro permite focar-se no controlo e na prevenção através de consultas médicas e check-ups.
O seguro inclui também acesso a consultas de médico online, assistência médica e de enfermagem ao domicílio, e entrega de medicamentos em casa.
Além disso, permite poupar nas despesas médicas mais relevantes, dando-lhe acesso a cuidados médicos com descontos através da rede de prestadores da AdvanceCare, inclusivamente de medicina dentária. Sem limite de idade de permanência, assegura que nenhuma mulher enfrenta estas mudanças biológicas sem o acompanhamento adequado.
Fontes:
- OMS - https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/menopause
- EMAS - https://emas-online.org/guidelines-and-education/ e https://ajec.mx/wp-content/uploads/2022/08/Menopause-wellbeing-and-health.pdf
- Direção-Geral da Saúde - https://www.dgs.pt/em-destaque/dgs-publica-relatorio-saude-e-dignidade-menstrual-resultados-do-inquerito-vamos-falar-de-menstruacao.aspx e https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes/guia-da-dgs-visa-identificar-e-intervir-sobre-fatores-de-risco-psicossocial-no-local-de-trabalho.aspx
- Science Direct - https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0378512225004153
- Emas Online - https://emas-online.org/guidelines-and-education/